A Disney mudou o formato de vilões da Disney, entenda

Desde os anos 90, a Disney tem passado por uma revitalização em questão de seus vilões

Você pode perceber que, nos últimos anos, não temos mais vilões icônicos e realmente cruéis como víamos nas animações mais antigas. Acho que ainda temos algumas poucas exceções, como Hans de Frozen e Ernesto De La Cruz de Viva – A Vida é uma Festa, que ainda podemos chamar de um verdadeiro vilão. Mas e nas outras animações da Disney, o que aconteceu com os vilões?

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A Disney acabou mudando seu conceito de vilão. Se antes tínhamos uma figura malévola para atrapalhar a vida do mocinho, agora temos vilões interpessoais e mais humanos. Ou, até mesmo, conflitos mais realistas, como um mal entendido ou uma traição inesperada.

A figura exageradamente mau está ficando de lado nas animações, dando espaço aos personagens que tem algu, elemento malvado em sua personalidade, ou alguma falha de caráter. Como é o caso de Abuela de Encanto, que é cruel, mas de um jeito mais pessoal e realista.

Trouxemos uma análise de filmes recentes que provam esta mudança:

Frozen 2

Diferente de seu primeiro filme, que traz um clássico vilão como o Hans, Frozen 2 foca em situações mais pessoais. Nesta animação, o conflito não é tão específico contra uma pessoa ou um ser maléfico e sim, a algumas temáticas maiores.

No filme, vemos as consequências do que Arendale fez no passado, afetando os Northuldra no momento da história, mas não podemos considerar isto uma atitude clássica de vição, pois podemos até cruzar um paralelo com a vida real. Se temos que apontar um vilão, neste filme, seria o imperialismo. Diferente de um vilão clássico, neste caso, o problema foi combatido com ações reparadoras. Quando Elsa usa seus poderes para reparar os estragos da destruição da barragem, ela mostra que é preciso trabalhar para corrigir os erros, que mesmo depois de mortos, os vilões podem deixar.

Luca

Em Luca, temos um vilão que parece clássico, mas não é. Ercole Visconti, com certeza, existe para atrapalhar, mas ele é a representação de algo muito maior, que é a xenofobia. E, neste caso, se livrar da representação não acabaria com o problema, pois o que precisava ser derrotado era o preconceito.

Quando Luca e Alberto são aceitos pela cidade após salvarem Giulia, e ainda são coroados vencedores da copa Portorosso, não significa uma derrota a xenofobia, mas um processo de auto aceitação bem sucedido. Luca aprende a ter orgulho de si mesmo e, consequentemente, ganha aceitação dos outros.

Encanto

Em Encanto não temos uma representação clara de vilão. Tudo bem que Abuela Alma é a causa de todo o conflito da história, quando faz pensar que a Casita está desmoronando por culpa de Mirabel. Mas nada do que ela fez foi por maldade clara e sim, por conta de um trauma. Perder o marido, ter de sustentar a cidade e a família sozinha fez com que o stress sofrido colocasse sua família sob pressão.

Abuela criou conflito entre a família e prejudicou muito Mirabel e Bruno empurrando imperfeições neles, mas é impossível apontá-la como uma vilã vil, pois ela não está além da redenção. No final, os problemas foram resolvidos com apoio familiar e comunicação, pois ninguém está livre do erro, o filme mostra isso.

Viva – A Vida é Uma Festa

Neste filme, com certeza, temos um vilão, mas ele não faz tanta diferença na resolução do problema apresentado no filme, como em clássicos da Disney, que o problema só era resolvido com a derrota do vilão.

No filme, Miguel precisa reconciliar sua família desfeita, Ernesto De La Cruz está ali para atrapalhar. Porém, por mais que ele seja derrotado, pode ser que Miguel não consiga cumprir sua tarefa. Então, a história não gira em torno do vilão. Ele existe, sim, para atrapalhar a história e impactar mais o telespectador, mas não como o principal conflito a ser vencido.

A falta de um vilão nos filmes da Disney

Mesmo com a falta de uma figura vilanesca, os filmes da Disney não perdem em qualidade ou conflito. Há muitas situações a serem resolvidas, só que de maneira mais humana e realista. Os enredos permitem que os personagens evoluam internamente e representam a maldade de forma mais sutil.

Isso causa empatia no público e mostra que os problemas não são tão simples de resolver, simplesmente removendo uma pessoa má do caminho. A Disney passou a tornar os vilões reais, pessoas ou seres que erram, mas que podem ter uma redenção, pois eles não são apenas maus.

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